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Ao meu amigo de todas as horas: Pazzo
 
Me lembro como se fosse hoje, quando estava no sítio do meu compadre e amigo Enrique Graziano, que havia me pedido para que eu fosse olhar a ninhada que ele havia tirado do Nicco Della Grotta Azurra com a sua cadela Astra di Graziano, pois eu era o único que tinha tido filhote dele com minhas cadelas.

Olhei todos, estavam lindos!!! Aí ele me perguntou qual eu tinha gostado mais e eu apontei para um cinza meio desengonçado. Ele ainda insistiu em um preto que tinha a cabeça muito bonita, mas eu me encantei com aquele mesmo.

Após o almoço, ele pediu para seu ajudante Augusto ir buscar o filhote que eu havia gostado. Sem entender nada, ele colocou o cão na minha frente e disse: "É seu!".

Fiquei super sem graça com o presente, pois apesar de ter gostado muito, eu não esperava por aquilo. Foi quando ele disse que eu era o único criador que havia acreditado no potencial do Nicco para cruzamento.

Levei o cão para casa nas nuvens. Eu estava imensamente feliz!

O tempo passou e ele foi tomando forma de Mastino - muita tipicidade, extremamente correto, uma das cabeças mais bonitas que eu já vi.

Porém, como sou uma pessoa muito polêmica, muitos grandes criadores nunca quiseram usá-lo na reprodução, o que eu sempre considerei uma perda imensa de sangue para o Brasil, o que fez com que sua linhagem aqui fosse muito escassa e restrita.

Pazzo Di Graziano, foi o único Mastino a ser bicampeão dois anos consecutivos, julgado por italianos, que não esconderam sua admiração pelo belo exemplar: Sr. Salvo Scherma, Giulio Bezzechi e a lenda viva da raça, Sr. Guido Vandoni.

Após esse feito, suas qualidades foram reconhecidas por um criador do Peru, Sr. Jorge Penharanda, o qual me fez uma oferta que não pude recusar. E pensando no próprio cão, e os benefícios que aquela venda significaria para seu sangue, pois ele cruzaria com as melhores cadelas do Peru, acabei vendendo meu amigo...

Pazzo Di Graziano

Confesso que me sinto parcialmente arrependido, pois eu amava aquele cão e sinto até hoje sua falta. Mesmo ele não sendo nada de especial para muitos, para mim era o melhor do mundo! Por outro lado, vejo os produtos que ele fez no Peru: Gigolo, Quinto, Bdeimon e tantos outros que mostraram a força de seu sangue.

Hoje ele está no céu alegrando as exposições divinas, mas com certeza ficará para sempre em meu coração!!!

Obrigado meu amigo por tantas alegrias e até um dia...

Luiz Marra